Empresas de Teló e Thaís Fersoza ganham ações contra ex-goleiro da Seleção após investimentos no mercado imobiliário dos EUA

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Advogada explica ações de empresas ligadas a Teló e Thaís Fersoza contra Doni nos EUA Decisões recentes da Justiça americana obrigam a empresa D32, do ex-goleiro da Seleção Brasileira Doniéber Alexander Marangon, o Doni, a pagar US$ 812 mil [o equivalente a R$ 4,2 milhões] a empresas ligadas a Michel Teló e Thaís Fersoza que fizeram investimentos no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Segundo documentos obtidos pelo g1 em consulta ao tribunal do Condado de Miami-Dade, os processos contra a companhia, denunciada por quebras de contratos ligados a aportes em empreendimentos, começaram em 2024 e ainda não resultaram na devolução dos valores, que seguem sendo corrigidos por juros enquanto não forem pagos. 🔎 Nos Estados Unidos, os condados são divisões administrativas intermediárias dentro dos estados que abrangem diferentes municípios. Dentro do sistema judiciário norte-americano, essas cortes abrangem dívidas e outras causas cíveis entre pessoas e empresas. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Nas ações, os representantes legais alegam que a empresa de Doni, que atua com empreendimentos na Flórida, emprestou US$ 450 mil de companhias ligadas ao sertanejo e à atriz com a promessa de devolução com um ganho baseado em uma taxa de juros anual de 15%, o que não ocorreu no prazo estabelecido. O cantor sertanejo Michel Teló Divulgação A advogada Juliana Leite, que ficou conhecida por participar da 4ª edição do Big Brother Brasil, atua em defesa das empresas gerenciadas por Teló e Thaís nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao g1, ela confirma o ganho de causa nos processos e que eles estão em fase de execução por meio da busca de bens da D32. As decisões definitivas, que atualizaram os valores a serem pagos, ocorreram entre o fim do ano passado e o início deste ano. "A gente está em negociação, porque essa parte de execução nos Estados Unidos, eles têm que nomear os bens. Já recebemos uma série de informações e estamos nessa fase de execução", disse. Em nota, Doni informou que é sócio há mais de oito anos da incorporadora que atua na região central da Flórida, que atualmente passa por um processo de reestruturação societária e renegociação de contratos e que, por isso, houve divergências pontuais com determinados clientes. “Todas submetidas regularmente à apreciação do Poder Judiciário e tratadas de forma técnica e dentro da legalidade”, comunicou. LEIA TAMBÉM Após denúncias por fraude imobiliária, Doni culpa elevação de juros nos EUA e diz que vai honrar contratos com investidores Suspeita de golpe imobiliário nos EUA, empresa do ex-goleiro Doni tem 22 processos em tribunal da Flórida Doni: quem é o ex-goleiro da Seleção e do Corinthians processado por golpes com investimentos nos EUA Doni: o que se sabe sobre ações contra ex-goleiro da Seleção por não entregar imóveis nos EUA Revelado em Ribeirão Preto (SP), ex-goleiro Doni tem histórico de títulos dentro e fora do país e passagens por Corinthians, Santos, Roma, Liverpool e Seleção Brasileira. Getty Images/AcervoEP Em outro comunicado, divulgado nas redes sociais, ele disse ter firmado acordos com a maioria dos investidores, que tem recursos para honrar os contratos e atribuiu os problemas dos empreendimentos a questões econômicas, como o aumento da taxa de juros nos EUA. Com forte ligação com Ribeirão Preto (SP), onde iniciou no futebol, Doni jogou em grandes equipes como Corinthians, Roma e Liverpool, além de ter atuado na Seleção Brasileira. Após 2013, quando encerrou a carreira, virou empresário e um dos sócios da D32, que captou recursos para a construção de casas em condomínios no estado da Flórida. Devido à falta de entrega dos empreendimentos e da ausência de retorno das aplicações financeiras, a empresa se tornou alvo de queixas de investidores, que entraram na Justiça solicitando a devolução dos valores aplicados. Em alguns casos, a Justiça chegou a cogitar a prisão cível dos sócios da empresa, devido à ausência em atos processuais. O ex-goleiro Doni, à esquerda, é um dos sócios da D32 Wholesale, que atua no setor imobiliário nos EUA. Reprodução/EPTV Os processos contra a D32 Segundo um levantamento feito pelo g1 nos condados de Miami-Dade e de Orange, dentro do estado da Flórida, são ao menos 29 processos ajuizados contra a D32, em sua maioria relacionados a quebras contratuais. Em Orange, são 22 ações, entre elas uma ajuizada pelo jogador do Santos Willian Souza Arão da Silva, após investir US$ 200 mil em um projeto imobiliário nos Estados Unidos. Em Miami-Dade, são mais 7 processos, entre eles ações ajuizadas por empresas gerenciadas por Michel Teló e Thaís Fersoza. "São disputas empresariais, empresas que fizeram investimentos, projetos que não foram entregues e a dívida não foi paga. (...) Todos são uma situação clássica do que a gente chama em inglês de breach of contract, uma quebra de contrato. Empréstimo que não foi pago, um empreendimento imobiliário que não foi entregue", explica a advogada, especializada em quebras contratuais nos EUA e que atendeu pelo menos cinco clientes contra a D32. Segundo informações disponíveis no site oficial de corporações e entidades comerciais do estado da Flórida, a M. Participações é representada por Michel Teló. No processo aberto no condado de Miami-Dade, a companhia alegou que, em dezembro de 2021, emprestou US$ 300 mil para a empresa de Doni com a promessa de retorno de 15% sobre o valor total, que deveria ser devolvido com correção monetária até novembro de 2023, o que não aconteceu. Após uma sentença favorável em fevereiro do ano passado, uma nova decisão, de janeiro deste ano, estabeleceu US$ 520,6 mil como valor final do pagamento devido pela empresa de Doni, o que inclui juros e honorários advocatícios. Com as mesmas alegações, a Thaiti Magic Investments, ligada a Thaís Fersoza, exigiu a devolução de US$ 150 mil, que subiram para US$ 292 mil na data da sentença definitiva, em novembro do ano passado. "O processo que a gente atua é bem simples: temos uma nota promissória, que é uma dívida e não tem garantia real. Então não teve uma hipoteca, não tem a menção a um terreno ou a uma casa. A gente está simplesmente executando uma dívida que não foi paga", afirma Juliana Leite. Placa de um dos empreendimentos da D32 nos Estados Unidos Reprodução/EPTV Empresa tentou acordo de renovação das dívidas, diz advogada Segundo Juliana Leite, os casos relacionados a Michel Teló e Thaís Fersoza estão entre os processos com ganho de causa que já resultaram em sentenças determinando a devolução de US$ 1,5 milhão. De acordo com a advogada, os investidores foram atraídos pela proposta da D32 por uma questão de confiança e também porque, inicialmente, as propostas pareciam promissoras. "Tinha-se um relacionamento com os diretores das empresas. Ele tinha projetos bem interessantes que, se fossem entregues, iriam devolver muito mais do que era devido. E o mercado imobiliário da Flórida sempre foi muito pujante, principalmente depois da pandemia. Os terrenos valoraram muito. (...) Acredito que no início a intenção realmente era de entrega. Os projetos eram bons, os terrenos eram bem localizados e, por algum motivo, não foram entregues." Juliana afirma que, depois dos problemas enfrentados, a D32 tentou estabelecer acordos extrajudiciais, que não foram aceitos porque não compensavam, explica a advogada. "Eles estavam propondo uma novação da dívida. Eles queriam fazer uma reestruturação na qual a dívida antiga seria extinta, se faria uma nova estrutura. Eu recomendei aos meus clientes não fazerem isso, porque nós já tínhamos uma dívida executada na Justiça e esse julgamento nos dá prioridade de recebimento", diz. Além dos quatro processos, ela confirma ter um cliente que preferiu aderir ao acordo extrajudicial, mas que ainda não recebeu da D32. Neste caso, o débito passa de US$ 1 milhão, segundo a advogada. "O único que eu tenho 100% de propriedade para dizer que aceitou a reestruturação da dívida também deu uma nova data de maturidade para a nota promissória para a dívida que foi renegociada e isso também foi descumprido." Juliana Leite, advogada que atua em processos contra a empresa do ex-goleiro Doni nos Estados Unidos. Reprodução/Teams Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/03/04/empresas-de-telo-e-thais-fersoza-ganham-acoes-contra-ex-goleiro-da-selecao-apos-investimentos-no-mercado-imobiliario-dos-eua.ghtml


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